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Economia pós-crise deverá ser mais verde, dizem países ricos

25/06/2009 – Valor Econômico

O Brasil redobrou a atenção ontem com o rumo de debates na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), nos quais os países ricos defendem que a economia do pós-crise deva se tornar “verde”, ou seja, mais ecológica e mais duradoura.
Para a OCDE, o “crescimento verde” contribuirá para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e a poluição ambiental. E ajudará a criar empregos voltados a tecnologia “verde” e energia limpa, agrupando tecnologias da informação e das comunicações, biotecnologia, nanotecnologia.

O chamado “novo acordo verde” é visto como mais que o slogan na moda. Ministros de países desenvolvidos dizem que o mundo enfrenta três crises simultâneas, econômica, ecológica e alimentar, e que é tempo de dar prioridade ao desenvolvimento sustentável.

O países emergentes concordam no geral, mas acham que há armadilhas por trás das boas intenções. Primeiro, os ricos provocaram a pior recessão dos últimos tempos e agora aparecem com a solução, que é vender tecnologia avançada para todo mundo. Ou seja, a ênfase passa a ser a venda de equipamentos inovadores (produzidos pelos países desenvolvidos), que se sobrepõe ao desenvolvimento sustentável. Países em desenvolvimento são vistos basicamente como importadores.
Além disso, a seis meses da cúpula do clima de Copenhague, a grande negociação sobre como descarbonizar as economias, os emergentes não querem nem ouvir falar em discutir na OCDE, para não legitimar um debate onde a fatura pode ser mais salgada.

O Brasil é membro de 30 comitês da OCDE, mas nunca participou do Comitê de Ambiente, apesar de seu peso nessa questão, justamente por defender que os compromissos para a descarbonização no pós-Kyoto são diferenciados.

A ênfase na venda de equipamentos para o “crescimento verde” ignora ainda a produção de etanol para o combate a emissões de gases-estufa e também não dá pistas sobre transferência de tecnologia.

“A lógica [dos países ricos] é a mesma que utilizam na Rodada Doha para liberalizar produtos ambientais”, diz o diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, Márcio Conzandey.

Na Organização Mundial do Comércio (OMC), os EUA a União Europeia propuseram a criação de uma lista com 43 produtos benéficos ao ambiente que teriam suas tarifas comerciais eliminadas. A lista, sem surpresa, não incluía o etanol como produto ambiental, mas sim tecnologia e peças para painéis solares, equipamentos para energia eólica e outros sistemas.

Esses produtos poderiam ser exportados sem aplicação de taxas, como forma de ampliar o acesso dos países pobres a tecnologias limpas. O governo brasileiro rejeita a ideia, condicionando uma lista ambiental à inclusão do etanol.

A mensagem de que a indústria de Brasil, China e outros emergentes terá de acelerar o corte de emissões de carbono ou enfrentar barreiras ambientais no mercado internacional vem se propagando.
A França, que já propôs uma “taxa de carbono” sobre importações de mercadorias com alto teor de carbono, produzidas com pouca eficiência energética, quer elaborar com a UE propostas a serem apresentadas até 2011 para aplicação automática de um “mecanismo de ajuste nas fronteiras” contra as importações provenientes de países que se recusarem a contribuir para a redução de emissões de gases-estufa após 2012.

A OMC estima que o comércio de produtos ambientais é de US$ 500 bilhões por ano, ou seja, a “descarbonização” da economia é também um bom negócio.

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