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O desafio do negócio sustentável

02/06/2010 – Fabiana Soares Leme

Diante da recente notícia de que a economia brasileira cresceu 9,84% no primeiro trimestre deste ano, mesmo em meio à crise que atinge a Europa e assusta o mercado, torna-se mais premente a necessidade de se equalizar o crescimento econômico com a preservação ambiental.
O Brasil desde sempre é tratado como o “país do futuro”. Seus erros históricos tendem a ser amenizados e a promessa de que venha a se tornar um gigante é sempre latente. Dessa forma é que perdemos diversos “bondes da história”. O da regularização fundiária é um deles. Até hoje se corre atrás de uma regularização ainda utópica, com heranças da época das sesmarias.

Pois bem. Mais um bonde se aproxima e teremos de estar muito atentos para não perdê-lo: a transição para uma economia de baixo carbono.
Não é de hoje que a questão ambiental é vista como entrave no Brasil. Aliás, nossa posição foi declaradamente esta na Convenção das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano realizada em Estocolmo em 1972. Quando o mundo começava a pensar na questão ambiental, o Brasil se colocava como protagonista do “milagre do desenvolvimento econômico”. Aquele que não poderia barrar seu desenvolvimento com entraves considerados menores.

Quase quarenta anos se passaram e não podemos continuar nos comportando da mesma forma. O momento exige que aprendamos a nos beneficiar de nossas riquezas naturais para a promoção de um desenvolvimento que possa realmente ser considerado sustentável. Inclusive em termos econômicos.

A boa notícia é que as mudanças para nós não precisarão ser tão drásticas. De acordo com estudo divulgado pela consultoria McKinsey no ano passado, “Caminhos para uma economia de baixa emissão de carbono no Brasil”, 72% do potencial de redução de emissões no Brasil estariam ligados ao objetivo de zerar o desmatamento – o que significa tão-somente fazer valer a legislação ambiental em vigor. Outros 14% dependeriam da adoção de melhores práticas de agropecuária já consolidadas.

No entanto, não podemos manter o foco no que parece de mais fácil exequibilidade. O que se impõe como diferencial é o investimento em tecnologias limpas, a redução no consumo energético, o desenvolvimento de produtos com maior valor agregado.

E em ano eleitoral bem sabemos que não podemos esperar do Governo aquilo que pressupõe uma verdadeira mudança de paradigma. A esperança é que a revolução se inicie no próprio setor produtivo. Que se possa enxergar o momento como uma verdadeira oportunidade que se apresenta para abandonarmos o papel que há muito nos foi legado de importador de tecnologia e nos consolidarmos como um dos principais vetores de uma nova economia.

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