Um grande projeto de “reconstrução” da infraestrutura nacional (como é chamado por seus autores) que vai demandar investimentos da ordem de R$ 50 bihões para começar está sendo posto em marcha nesse outono, sendo previsto seu término em 2018.

Trata-se de um grande plano de governo, para estimular o crescimento e o desenvolvimento, através da melhoria da infraestrutura nacional, que está carecendo de urgentes intervenções.

São 40 grandes projetos no total, começando por um programa de investimentos em ferrovias como nunca foi feito no país desde os anos 1900, com toda a remodelação da malha ferroviária para transporte de cargas e passageiros, inclusão de trens de alta velocidade e viabilização das grandes linhas atravessando as regiões norte-sul e leste-oeste.

Depois os projetos de telecomunicação, através do barateamento dos custos de utilização, modernização da banda larga para se tornar acessível em todo o país e tornar-se a mais rápida existente em toda a região, o mesmo acontecendo com a telefonia móvel que receberá investimentos e nova tecnologia como 4G.

Cuidando das ferrovias e telecomunicações, virão em seguida as rodovias onde estão previstas igualmente obras de toda natureza, começando pela renovação e atualização de toda a malha existente, assim como o lançamento de um grande projeto de concessão de novas autoestradas, buscando solucionar os gargalos e congestionamentos existentes.

A seqüência desse grande projeto de governo vem com as intervenções nos portos, aeroportos e metrôs urbanos nas grandes cidades. Nesse ponto há projetosde novos portos já em implantação, sendo que um deles vai aumentar a capacidade atual para mais 500 mil containers.

A conclusão das obras está prevista para 2015. O diagnóstico é que o setor de portos precisa ser modernizado, não apenas na sua infraestrutura,; mas sobretudo na relação do pessoal empregado com as novas técnicas de logística e manuseio de cargas.

Nos aeroportos, a ideia é renovar e expandir os atuais com investimentos, via concessões e participação da iniciativa privada, de mais de R$ 18 bilhões e a abertura de novos hubs, como alternativa para o desvio das rotas dos aeródromos já congestionados e geração de novos polos de desenvolvimento. A segurança de voo é uma das preocupações do projeto e a melhor aparelhagem dos aeródromos é também uma de suas prioridades. Não adianta nada reformar e melhorar as estações de embarque e desembarque e não cuidar dos equipamentos de controle de voo, radares e todo o sistema de proteção de voo.

Os metrôs urbanos terão a prioridade do governo e esse trabalho começará com a ampliação e modernização urgente das redes atualmente existentes nas grandes cidades e criação de novas linhas, devendo o governo financiar ou proporcionar as garantias necessárias para que os municípios possam contrair os financiamentos necessários a tal projeto.

Trata-se de um grande esforço conjunto dos diversos níveis de governo para viabilizar e possibilitar o funcionamento a curto prazo dos metrôs urbanos, sempre contando com a parceria da iniciativa privada.

Ainda dentro desse super plano de infraestrutura, o governo volta seus olhos para a geração de energia limpa, seja via incentivo à geração eólica e também às novas fontes existentes, assim como na modernização das linhas de transmissão atuais e de todo o sistema elétrico nacional, realizando os investimentos necessários para ampliação da capacidade, atendendo a demanda que deverá vir após a crise.

Preocupam-se os autores do projeto com o volume de perdas no transporte de energia e a atual ineficiência constatada, que acaba contribuindo para os altos custos atuais suportados pelos consumidores em geral.

Finalmente, há todo um projeto para proteger as grandes cidades das inundações recorrentes e das suas conseqüências, estando em implantação nesse momento 93 projetos de contenção de inundações onde anualmente estas ocorrem. Um levantamento dos custos suportados pelo governo no pós catástrofes naturais revelou ser muito mais econômico agir por prevenção, além de salvar vidas e evitar os traumas delas oriundos para a população atingida.

Tudo isso será feito não no Brasil, infelizmente, onde tanto necessitamos urgentemente, mas surpreendam-se porque trata-se de um projeto do governo inglês! Nós brasileiros quando vamos a Inglaterra admiramos sua organização e sua infraestrutura que é muitas vezes superior à do Brasil e os ingleses estão preocupados em melhorá-la e fazendo grande esforço de investimento em plena crise europeia.

Ordélio Azevedo Sette – Advogado, Conselheiro do BIAC Business and Industry Advisory Committee da OECD em Paris

Fonte – Jornal – O Estado de S. Paulo – 15/04/2013

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