PPP - Parcerias Público-Privadas

Azevedo Sette Advogados

Fim da novela: rodoviária será no bairro São Gabriel

Só daqui um mês prefeitura irá divulgar local exato das obras

Está decidido. A região metropolitana de Belo Horizonte terá dois novos terminais rodoviários. Na capital, o local escolhido é o bairro São Gabriel, na região Nordeste. A outra rodoviária ficará em Contagem, no bairro Novo Eldorado. A decisão, anunciada ontem pelo prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, põe fim a uma novela que se arrasta desde fevereiro de 2008, quando o projeto de transferência do terminal para o bairro Calafate, na região Oeste, chegou a ser aprovado pela Câmara de Vereadores.

Ontem, o prefeito explicou que a região do Calafate, mesmo aprovada em estudo, foi descartada por se mostrar inviável, a longo prazo, do ponto de vista do tráfego. "No confronto entre vantagens e desvantagens, concluímos que o São Gabriel é o melhor local, inclusive com uma visão de 20, 30, até 50 anos. A proximidade com o Anel Rodoviário, com a estação do metrô e a articulação dos ônibus urbanos e BHBus, além da facilidade de acesso de ônibus e automóveis e saídas para rodovias foram questões decisivas", afirmou Lacerda. O investimento é de R$ 100 milhões, que deve ser custeado por meio de concessão ou Parceria Público-Privada (PPP).

Contagem. O terminal de Contagem será, segundo a autarquia que gerencia o trânsito na cidade - a Transcon -, o primeiro projeto pensado de forma metropolitana. "Quase 20% dos usuários da rodoviária de Belo Horizonte são de Contagem, Betim, Esmeraldas e cidades do entorno. Precisamos descentralizar para melhorar a mobilidade. Por isso as prefeituras de Contagem e Belo Horizonte estão pesando juntas", disse o superintendente da Transcon, Hermiton Quirino.

O terminal não tem, ainda, um terreno definido para sua construção. A Transcon informou, apenas, que três áreas são estudadas, num investimento estimado em R$ 17 milhões. A previsão de conclusão dos dois terminais é em 2012.

Para BHTrans, impacto no trânsito será pequeno

Segundo o presidente da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), Ramon Victor Cesar, os impactos no trânsito da região do entorno da rodoviária do bairro São Gabriel não serão grandes. "A infraestrutura é boa. Nos permite aumentar o fluxo sem causar problemas. De qualquer forma, serão feitas pequenas intervenções no trânsito, que ainda não estão definidas".

Ainda de acordo com Ramon Cesar, há mais de 20 anos são feitos estudos para a construção de um novo terminal rodoviário na capital. "Naquela época o São Gabriel foi descartado porque não tinha a mesma infraestrutura viária que tem hoje, como a Linha Verde e o BHBus.

Terminais estão em saídas estratégicas

Pelo pouco que a Prefeitura de Belo Horizonte apresentou ontem sobre a construção de duas rodoviárias, o consultor Osias Baptista Neto avaliou como sendo a alternativa mais inteligente. Isso porque os terminais, na região Nordeste da capital e em Contagem, estão localizados nos sentidos de dois importantes destinos: Vitória (ES) e São Paulo, respectivamente. No entanto, apenas a localização não é suficiente para facilitar a vida do usuário e a circulação viária.

De acordo com Neto, o sistema precisa ser integrado ao metrô de forma plena, de tal maneira que o acesso do passageiro seja imediato, sem necessidade de outro transporte. "Não faz sentido obrigar o usuário a atravessar alguma rua ou pegar um ônibus para chegar à rodoviária se haverá estação de metrô perto. É preciso ter planejamento para a integração, como o que é testado hoje na estação BHBus São Gabriel", disse.

Outro ponto ressaltado pelo especialista é sobre as obras viárias necessárias para o entorno dos terminais. Segundo Neto, o sistema precisa ser reforçado para dar conta da nova demanda de veículos. "Reforço não é só semáforo".

O ex-diretor presidente da BHTrans Ricardo Mendanha foi procurado ontem pela reportagem de O TEMPO para comentar o anúncio feito pelo prefeito Marcio Lacerda. Ele afirmou não ter sido informado sobre a escolha da prefeitura. "Imagino que tenha sido feito algum estudo para se fazer uma proposta. Mas não vi o anúncio para poder falar".

Fonte: Jornal O Tempo - 19/12/2009

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